
Uma folha caída na avenida.
É assim que se extingue um amanhã.
Paris me diz que toda vida é vã,
a branca estrela da estação perdida.
A ti, folha de plátano caída
no chão dourado da plúmbea manhã,
um frio de outono que nenhuma lã
vai proteger da morte prometida,
a ti dedico os passos derradeiros
que me afastam da vida quando passo
sob as árvores da longa alameda.
Entre a noite indolente e os sóis primeiros
cai a folha do amor, e cai no espaço
do dia breve. E a morte é muda e leda.
Lêdo Ivo
Academia Brasileira de Letras - Revista Brasileira
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